Friday, September 22, 2006

Ponto de situação: Os dias do fim…

























No outro dia caminhava com o meu irmão, pelo assombroso interior de uma dessas grandes superfícies comerciais que existem espalhadas pelo país, e comentei com ele uma figura que me suscitou interesse:

– Olha-me para aqueles lábios… STRAU!!! Espetava-lhe cá uma beijoca!

– Quais lábios João? – Perguntou o meu irmão com um ar confuso

– Aquele par de lábios meu! – e apontei vagamente na direcção do cartaz onde figuravam os ditos…

– Quais lábios João? – era ainda mais nítido o pavor na voz do meu irmão…

– Ali naquele cartaz – apontei eu, desta vez sem deixar margem para enganos.

– João, aquilo é um homem! – chocado a olhar para mim, a face do meu irmão era um misto de gargalhada eminente e de asco

Era um cartaz da Hugo Boss, com um modelo extremamente andrógino, vestido com roupas em tons lilás, com pendericalhos ao pescoço e um chapéu que acentuava a feminilidade de todo o conjunto…

O que eu senti nos momentos que se seguiram; uma vontade imensa de tomar banho com jacto de areia, despir a minha própria pele e queima-la, um asco tremendo, completamente arrepiado, muita vontade de beijar uma mulher bonita e fazer sexo com ela até me esquecer deste triste episodio…

O meu irmão podia ter piorado a situação, mas até foi bastante compreensivo e conivente, sorrindo e dando-te uma palmadinha nas costas… talvez tenha percebido que eu estava revolto por dentro e que poderia chacinar toda a população daquele hangar, começando por ele… estive por um fio, mas consegui controlar-me fazendo uso de tudo o que aprendi no Tai Chi Chuan e recuperei o controle sobre mim mesmo.

Tudo o que eu escrever em seguida é uma reflexão séria sobre o ponto de situação da masculinidade face à globalização. Não interpretem isto como um conjunto de desculpas ao que me aconteceu… sim, eu estava com os óculos postos.

Vivemos uma época conturbada, em que os homens demoram tanto ou mais tempo que as mulheres a cuidar da imagem. As mulheres não podem fugir à sua cota de responsabilidades neste campo, pois estão a tornar-se excessivamente femininas e cada vez preferem mais o tipo de "homem" andrógino, o Calvin Kleiniano, aquele ser que de tão limpo cheira a lixívia. Até já no andar eles se balanceiam como uns autênticos pirilampos…

Uma época em que o queijo vem cortadinho à fatia e cada fatia vem individualmente embalada por uma película de plástico, o pão vem aparado…aparado significa sem côdea… PÃO SEM CODEA!?!

Com tudo isto pergunto-me onde param os últimos bastiões machistas onde podemos beber das boas influências essenciais à formação de um homem??? … onde um homem pode confraternizar um pedaço de tarde a falar de desporto, a dizer mal da politica, a ser estupidamente preconceituoso, enquanto coça as micoses e mastiga escarros que aguardam pausa na conversa para serem violentamente cuspidos? Onde o pão é rasgado ou cortado com uma navalha contra a barriga, acompanhado com queijo seco aos bocados? Onde os bigodes são fartos, as correntes de ouro aos pescoços reluzem repletas de verdete, por entre a pelagem escura que aparece por entre o colarinho da camisa desabotoada até ao umbigo, marcada de nódoas do molho dos passarinhos fritos e do suor, e os macacos do nariz são despreocupadamente arremessados pelo vazio, sem pudores e cuidados onde aterrar?

Temo pelas gerações vindouras, que em vez de comerem bucha de presunto com côdea de pão rijo comem moranguinhos com açúcar… MORANGOS COM AÇÚCAR??? Destes há tanto para dizer que falarei mais tarde dessa guerra declarada à boa educação de uma criança…

…a confusão que vai nessas cabecinhas!!!

A minha avó sempre disse:

"Um Homem é um homem e um bicho é um bicho, corta-se-lhe o rabo fica rabicho."

PS – Para todos os efeitos vou deixar crescer o bigode e vou começar a ir à caça com o meu pai, vou pagar as cotas em atraso do Arsenal 72 e entrar na selecção do jogo da malha e na bisca dos 9

Thursday, September 21, 2006

O Castigo

Num dia destes estava a ver televisão com a minha moça e apareceu um anúncio na TVI dando conta de um Casting para um novo programa da estação.Observei com muita atenção o anúncio a dar conta que o casting estaria aberto a jovens de ambos os sexos (hermafroditas?), entre os 18 e os 25 anos, solteiros...

Aqui neste ponto interrompeu a minha patrôa que me disse logo com voz autoritária:
"Nem penses...tu não és solteiro...és mais que casado até!!"

Caredo!!Mais que casado?Aprendi que sou mais que casado...aquele momento mudou completamente a minha percepção sobre a minha relação.Pensava que estava só encarcerado numa prisão de altíssima segurança e naquele dia descobri que afinal sou mais que isso...sou um condenado à morte já com a seringa encostada ao braço e com o padre a dar a extrema-unção.Meu Deus a vida como eu conhecia findou...sou mais que casado...

Saturday, September 16, 2006

Flor sem Sol















Brilha para mim, meu Sol
não te escondas atrás da Lua.

Eu, Flor de Lis, vivo para ti e por ti.
Espero e não vens, não vieste ontem, não vens hoje, não virás amanhã.

Quando notares que a indiferença que me apresentas é fruto da minha forte presença, é fruto da força e do meu cheiro único de Flor de Lis, quando notares que mil abelhas me rodeiam com o fim de consolidar uma polinização cruzada. Nessa altura, já terei perdido as minhas pétalas, já não precisarei da tua luz artificial, meu Sol de Outono, já terei sido fecundada pelos grãos de pólen que aqueles insectos solidários me trouxeram no dia em que tu te recusaste a brilhar.

E nessa altura, morrerás consumido pelo teu calor, sufocado pela tua própria luz. Com a luz que não me deste por medo, medo da minha cor passional e errante de Flor de Lis.

Thursday, September 14, 2006

As crónicas de um preservativo furado--------1998-2006

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Estimados camaradas

Viajei pelo Norte de toda a Europa, viagens económicas de algibeira… sempre fiel ao pelotão…
Amarrotado, encolhido… espreitei a noite vermelha de Amesterdão, na Holanda por um pouco não ia o batalhão todo, estive em Berlim, varias vezes chamado para o combate, mas nunca se verificou, (exercícios de simulação), em Inglaterra também houve falsos alarmes, … em França perdi dois bons companheiros na mesma noite, mas as valquírias não me queriam fechar o destino e sobrevivi… em Évora só não me estriei porque, de forma diferente da velha Amesterdão, a luz também estava vermelha… com o avançar do tempo tornei-me uma espécie de referencia para os vindouros, os novos que iam chegando àquela mesma algibeira… porque era mais experiente, já ouvia rumores sobre a minha idade, sobre as guerras em que tinha participado, algumas verdades e outras nem tanto, mas divertia-me… de aspecto vincado, enrugado e com alguns rasgões na farda, tinha um aspecto duro de roer… mas era uma fava, de látex como todos os outros.

Fui finalmente chamado para combate, e aquando o salto daquele lugar seguro para o vazio da noite, todo eu era nervos…

Espanha, Verão de 2006, este foi um bom ano!

Caso tenham recebido esta carta é sinal de que estou morto. Estou a escrever-vos da linha da frente, abrigado nesta húmida trincheira… (não húmida o suficiente, pois sinto a garganta seca e isso pode vir a ser um problema), a qualquer momento a situação vai explodir e eu terei de provar ao que vim… espero não deixar ninguém mal com a minha prestação… gosto muito de todos vós…

Adeus

Borrachinhas



. . . . . . .

Estas foram as derradeiras palavras do preservativo furado, que esticando-se ao máximo pela causa que defendeu toda a vida, se tornou fino demais acabando por romper… meses mais tarde tornou-se num problema chorão de 3,700kg que se viria a transformar num memorial do combate pelos direitos dos Preservativos de todo o mundo.

Hoje o Borrachinhas é recordado por todos como um exemplo de tenacidade, viveu como quis e morreu com um grande estrondo.

Sunday, September 10, 2006

Holocausto na Linha Sintra

A meio do holocaustico cenário, para um lado e para o outro um deserto tórrido de cascalho grosso temperado pelos férreos carris… para lá disto um labirinto de alcatrão onde se movem surdas e mudas criaturas metálicas que não ajudarão ninguém…

O comboio pára… depois de o ouvirmos passar por cima de alguma coisa… e aqui estou eu, a ouvir Ennio Morricone e a ler o ultimo romance da Regina Sardoeira quando os primeiros bravos começam a saltar do comboio parado no meio de lado nenhum… armados em espertos a opinar sobre as causas do contratempo… mas eu sei muito bem o que se passa, começa sempre assim, primeiro os serviços começam a falhar, alguém vai ver o que se passa, alguém é mordido e infectado… e a partir dai, bem, já todos vimos os filmes…a infecção propaga-se e é o fim da humanidade às mãos dos Zombies.

Passa um revisor e responde vagamente às perguntas que disparam para o ar… – eles dizem que passamos por cima de qualquer coisa! – Eu penso para comigo, o Sr. Qualquer coisa deve estar bonito deve, pelo solavanco que o comboio deu… alguém responde – Ainda bem que hoje não há jogo… – e eu começo a planear de novo o meu dia, porque parece que a CP tem novos desígnios para mim… por absurdo que possa parecer, vem um comboio no sentido contrario e numa preciosista manobra pára com as portas alinhadas com o comboio onde nós estamos e começa o transbordo, aquilo que me pareceu um acto desertor, e perigoso… o de abandonar aquela pobre carcaça metálica que tinha dado a vida para nos proteger… a loucura começa quando pessoas com o dobro da minha idade começam a transpor o abismo entre os dois comboios, o chão, 2m abaixo, era anunciado pela distancia de 1,5m entre as portas… uma velhota ensaia um salto que me parece movido por desespero, ninguém quer ficar para traz, e tal é o desespero, que a velha consegue aterrar do outro lado, nos braços de um jovem benemérito… por momentos contemplo o êxodo da carcaça morta para o comboio da esperança, e dos muitos idosos que fizeram a proeza, fascinantemente, nenhum cai, que era de longe uma probabilidade em que eu apostaria, com uma queda bem simulada conseguiriam sacar bom dinheiro à CP… por fim também eu, resistente mas com um aguçado sentido de dever, pois não poderia abandonar aquelas pessoas que contam com a minha experiência no combate a Zombies, transbordo-me para a nova maquina, viro-me e observo o lugar onde vinha sentado, (há minutos atrás a minha vida parecia tão banal), sorriu e salto… já no novo comboio, estranhamente com uma equação dinâmica igual à da carcaça abandonada a seu lado, dizem-me que caiu uma cartonaria no caminho de ferro… foi isso! O mesmo já me tinha acontecido naquela mesma linha há 3 anos atrás e já então me tinha proporcionado um serão igualmente divertido… disseram-nos então que iríamos até Benfica e lá aguardaríamos novas… são já 14:51 quando reiniciamos a marcha, a viagem que tinha começado às 14:11 em Entrecampos… uma senhora começa a lamentar-se que tem fome, e eu lembro-me que também não almocei…outra senhora lembra-se de responder – eu tenho aqui umas pastilhas! E eu sou violentamente assaltado pelo ponto de situação… estamos bonitos estamos!

…sem comida, sem armas, teremos de os enfrentar de mãos nuas e de estômago vazio… contemplo o semblante dos meus camaradas de carruagem e tento acalma-los com o olhar… nada de mal vos acontecerá meus bravos… não enquanto eu aqui estiver…

No meio disto um casal de bifes com o ar de quem não percebeu pevide do que estava a acontecer, por não falarem português, viram-se para mim na esperança de uma explicação na língua da rainha… que aventura… lá lhes explico o que se passa e quais as minhas expectativas… quando lhes falei dos Zombies pareceram-me ficar preocupados, a usual fobia do contacto com o agente infeccioso foi notória no comportamento instintivo do machão, que puxou a mulher para junto dele, afastando-a de mim…mas eu assegurei-lhe que ainda não havia ninguém infectado dentro do comboio… creio que estabelecemos desde logo uma relação de confiança entre os dois, mas ele não afrouxou a guarda… ele era grande, e ambos sabíamos, que caso ele fosse infectado eu teria de o matar e ficaria com a mulher dele, era claro como água!

Começo a ter fome, e realmente, "ainda bem que hoje não há jogo"… penso para mim que o gajo que tem uma saída destas só pode ser mentecapto!

Se a coisa piorar terei de tomar medidas para a sustentabilidade da vida no interior da carruagem, e começo a destrinçar a população que me envolve… apercebo-me de algumas fêmeas receptivas a acasalar, que me enchem as medidas, e alguns jovens que poderei facilmente formar no sentido de serem os machos Beta, a carne para canhão! Entretanto a marcha do comboio pára outra vez… que tarde! A selecção musical que levo comigo no leitor de mp3 foi perfeita, para alem de westerns tenho Enya e Yan Tierson…

Mais 15 minutos parados e eis que retomamos a marcha, até que chegamos ao prometido apeadeiro de Benfica… já fiz dois novos amigos, o casal de bifes não me largam e sempre que ouvem as explicações em português dadas à mobe pelas colunas da estação olham para mim em busca de tradução… aquelas caras, as expressões nos rostos deles, dizem-me que acreditam em tudo o que lhes disser… eu digo-lhes a verdade – Os Zombies estão a dar que fazer às forças de intervenção e demorará algum tempo até poderem assegurar a sobrevivência das populações nas estações da linha de Sintra… estamos por nossa conta meus amigos! – As expressões aterrorizadas de ambos jogam com o cenário em redor… cenário esse que eu reavalio e deparo-me com uma drástica mudança…a meu lado só pousam velhas… estou feito! Tenho que mudar-me para o pé das boazonas… começo a caminhar no apeadeiro e os bifes seguem-me de longe… demorou cerca de 10 minutos até entrarmos noutro comboio estacionado no outro lado do apeadeiro…

Dali não houve mais problemas até à estação do Algueirão, lugar onde tive que me despedir do casal de ingleses, eles iam para Sintra, e pediram-me que fosse com eles, disseram-me que lá poderíamos começar de novo, um mundo perfeito, eu sorri e agradeci-lhes o gesto, mas os números não eram simpáticos, ele ela e eu não daria em nada perfeito, para alem disso eles já tinham estado tempo suficiente comigo para perceberem a minha Índole de guerrilheiro, o lugar para se estar se queremos proteger a serra de Sintra do avanço da peste zombie é em Algueirão Mem Martins, e é aqui que eu saiu. O comboio pára por breves momentos, o tempo exacto para me atirar às mandíbulas do aglomerado de zombies mitras que esperavam na estação por carne fresca, (um dos rostos eu conheci de imediato, era o Seara, que estava infectadinho até à careca do sindroma Zombeiro...era o mais feio de todos eles...), apercebo-me que a minha terra está já tomada pela infecção, e tenho tempo de olhar para os bifes que me acenam do comboio que se afasta, enquanto eu despedaço as monas duns feiosos que se me atravessam à frente, como um ceifeiro na ceara, sorrindo, e assim abro caminho até à casa de um antigo companheiro destas andanças, que mora ali perto da estação. Sei que a esta hora já terá tomado as providências necessárias para conseguirmos fazer frente à epidemia… já aconteceu antes, e de certo que ele me espera para avançar com o plano.

Não havia aqui nem cabras nem borregos no comboio… eram todos simplesmente estúpidos e um deles era louco varrido!

PS- Este artigo foi escrito integralmente num desses serões extraordinariamente planeados no sigilo por essa abençoada empresa que é a CP, que segundo sei tem um gabinete de marketing dedicado em exclusivo ao planeamento destas actividades lúdicas para o entretenimento de seus clientes.
È portanto baseado numa historia verídica; desafio-vos então a perceberem o que daqui realmente teve lugar entre a estação de Sete-rios e a estação de Benfica…

O outro lado do Espelho

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Todas mulheres adoram espelhos. Para depilar sobrancelhas, tirar o buço, espremer uma borbulha horrível que teima em permanecer na ponta do nariz, para colocar rímel nas pestanas, colocar uma sombra nas pálpebras, colocar um gloss nos lábios, retocar o penteado: escova daqui, escova dali, coloca o gancho tira o gancho, faz um rabo de cavalo, solta novamente o cabelo...e permanecem horas e horas ao espelho.

E isto irrita-me profundamente! Não que eu não tenha o hábito de fazer algumas destas actividades, tenho! Não vos vou mentir...! Mas eu conheço o outro lado do espelho!!E elas não, e se o conhecem temem-no e evitam-no, são muito púdicas, estas tristes “diabas”!!

Um espelho é muito mais que um objecto para ver uma simples imagem reflectida, um espelho é uma janela para o mundo do amor...é a janela para o “Bairro do Amor”.
Um quarto com uma parede espelhada, é mil vezes melhor que um mega ecrã de cinema ao ar livre. Não há nada melhor que fazer “o amor” num ambiente agradável, com uma luz ambiente suave, e de vez em quando olhar para a parede revestida daquele material mágico e ver dois corpos a descoberto, entrelaçados. Pele com pele, cores e texturas de pele diferentes...

Na minha memória, tenho uma pasta onde guardo as imagens mais bonitas que visualizo, nela guardo: a vista do Rio de Janeiro lá do cima do Cristo Redentor, a Serra de Sintra envolta em nevoeiro, um pôr do sol mágico, um nascer do sol, raios de luz a penetrar na densa floresta, golfinhos a pular, uma rã microscópica no interior de uma bromélia, o sorriso dos bebés da família, e claro guardo imagens quentes, bonitas e românticas de viagens ao outro lado do espelho.

Nem todas as mulheres são cabras, nem todos os homens são borregos. Como eu lamento que algumas cabras e alguns borregos percam oportunidade de fazer uma viagem tão simples e profunda pelo Mundo do Sentidos...Entra para o outro lado do espelho, vai para fora cá dentro!
** Picasso: "Mulher ao Espelho".

Friday, September 08, 2006

Sugestão de compra...

Seduzir é uma arte que se encontra em vias de extinção… Para quem não se recorda de como se realiza a sedução, esta começa com a troca de sinais: um olhar, gestos, movimentos, toca e foge, instinto…

Mas o que acontece hoje em dia? Hoje em dia impera o desejo carnal… a parte de sedução fica reduzida a meros minutos … o homem olha, gosta e ataca, mas não ataca de forma mágica que nos desperta os sentidos e nos provoca o desejo de retribuir com um sorriso ou com um gesto de carinho…

Vou expor dois ou três exemplos como forma de argumentar e ganhar a minha causa:

1º Uma esplanada, um empregado de mesa, um pedido educado de uma caipirinha que leva a uma má interpretação… a caipirinha chega, sendo oferta da casa, assim como um guardanapo com o número de telefone e ainda se tem o direito a uma sessão de striptesse! (Bela técnica de sedução não?!);

2º Uma musiquinha boa para se dançar juntinho… convidada para dançar, aceita-se o convite pois dançar faz sempre bem… começa a chegar o final da musica sente-se a mão a ser beijada, o ouvido a ser violado e só se tem tempo de fugir antes de se ser completamente engolida por este “mestre” da sedução;

3º Uma pista de dança, um grupo de amigos e amigas com conversa animada… uma presa fica por breves momentos isolada… como abutre o homem chega ao pé e começa a segredar-lhe ao ouvido “Foste uma fada que me apareceu”, uma festa no cabelo e só se tem tempo para se esboçar um pequeno sorriso (até é uma frase agradável ao ouvido!!!) pois quando se dá por ela já se está a levar com um beijo na boca.

Meus amigos a sedução é uma arte que requer dedicação… não este tipo de sedução barata em que no final pouco ou nada fica. Até nos animais a arte de sedução se encontra mais conservada… O leão no momento de seduzir caminha lentamente em torno da leoa fixando-a no olhar. A leoa por sua vez, fica por ali deixando-se observar mas ao mesmo tempo insinuando-se, deitando-se e levantando a anca, emanando sinais que indicam ao macho que este foi aprovado, mas mantendo uma certa distância e fugindo aquando das primeiras aproximações do leão. Um ritual em que reina o instinto, o feeling de entender o parceiro e não o “Vamos lá ver se dou sorte e hoje levo alguma gaja pra cama”

Façam um favor… comprem um dvd da national geographic em que retrate o comportamento sexual dos leões… dos pavões… pode ser que a velha e mágica arte de sedução retorne…

Como é bom ser seduzida e seduzir!!!

Wednesday, September 06, 2006

Sobre a T.V. Parte 3 - A derradeira da série

Nos meus dois últimos posts aqui afixados tenho vindo a tentar discutir, com 2 exemplos do que vi na T.V., o que significa afinal "a companheira perfeita". Por um lado temos a visão do Psicanalista Frasier Crane que acredita que para encontrar a companheira perfeita temos que procurar uma mulher que corresponda inteiramente, tanto fisicamente como psicologicamente, a uma série de particularidades de aqui e de além como uma manta de retalhos. Feito o projecto em casa, com detalhes desenhado ao milimetro, é ir lá para fora à procura.

Agora, com este post, procurarei dar-vos uma outra maneira de ver o que significa afinal a companheira perfeita. Para esta abordagem vou pedir emprestado ao Gus Van Sant, ao Robin Williams e ao Matt Damon um excerto daquale que é um dos filmes mais extraordinários que tive oportunidade de ver na minha vida- Good Will Hunting ou O Bom Rebelde (filme que faço questão de o ver esta noite findada a afixação deste post).

Nesta cena, o psicólogo Sean(Williams) procura "aproximar-se" de Will (Damon) contando-lhe alguns episódios que viveu com a sua mulher no tempo em que estiveram juntos até ao dia em que ela faleceu vitima de cancro e com isto por Will à vontade para falar da sua recente relação com Skylar(Driver). O resultado que se segue não é mais do que uma improvisão por parte de Williams uma vez que a cena nem estava escrita no guião oficial(que já li) e comprova-se isso também pela gargalhada mais que genuína dos dois actores em cena e pelo ligeiro abanar de câmara do cameraman.

Sean: "My wife used to fart when she was nervous. She had all sorts of wonderful little idiosyncrasies. She used to fart in her sleep. I thought I’d share that with you. One night it was so loud it woke the dog up. She woke up and went ‘ah was that you?’ And I didn’t have the heart to tell her. Oh!"

Will: "She woke herself up?"

Sean: "Ah…! But Will, she’s been dead for 2 years, and that’s the shit I remember: wonderful stuff you know? Little things like that. Those are the things I miss the most. The little idiosyncrasies that only I know about: that’s what made her my wife. Oh she had the goods on me too, she knew all my little peccadilloes. People call these things imperfections, but there not. Ah, that’s the good stuff."

O que se pretende com este texto é dar uma visão diferente do que deve ser a companheira perfeita que tanto os homens procuram ou o príncepe encantado, como as minhas co-autoras deste blog gostam de denominar os ainda "não borregos. O que afinal a perfeição? É os olhos azuis da Daniela Cicarelli ou a capacidade de soltar um valente arroto num momento descontraído? São os lábios da Angelina Jolie ou os "pums" a meio da noite capazes de acordar o cão do vizinho?São as pernas da Helen Svedin ou a voz de falsete quando se começa a irritar com a empregada do café que está a demorar a trazer a conta?

Este é porventura o post menos cómico que já aqui escrevi(ou não...tenho um dom, ou um impedimento genético que me impossibilitam de ter piada) mas que gostava de receber algum feedback da vossa parte...desde que esse feedback não seja passar gases...

Tuesday, September 05, 2006

Aqui e agora...

Um casamento é sempre uma celebração especial, admiramos a coragem e ingenuidade dos nossos amigos que se entregam a um padre, um ser puro e casto, que lhes fala de como se devem comportar enquanto casal, ouvi palavras bastante bonitas nesta última cerimónia, como por exemplo: " A mulher foi criada por Deus para servir e apoiar o homem, para servir de alicerce, a mulher foi criada para o homem não se sentir só".

Depois da cerimónia religiosa é tempo de conhecer os amigos da noiva e do noivo de preferência os solteiros que nos olham de forma disfarçada debaixo dos óculos de sol, durante a sessão fotográfica aos noivos. Um tipo giro a atirar para o beto, não tirou os olhos do meu decote durante todo o casamento, o tipo era engraçado, tinha um rosto com formas bastante harmoniosas, enfim era um tipo passível a umas dentaditas se a coisa se proporcionasse para tal…

O dia foi passando, as trocas de olhares foram-se seguindo até à noite, enquanto eu me encharcava em bolos e ele em vinho tinto. O vinho deu-lhe mais coragem a ele que o bolo de chocolate a mim…veio sentar-se ao meu lado, disse umas idiotices às quais eu tentei dar desconto, afinal eu só estava embriagada com chocolate, na voz dele eu conseguia ouvir nitidamente o som do álcool etílico a ecoar. Creio que ele ainda não ouvia bem o ecoar do álcool, abandonou a mesa e foi buscar mais um copo com um licor nojento, branco e espesso, com cheiro a leite azedo ( há gostos para tudo…).

E finalmente ganhou coragem…tirou-me da pista de dança, agarrou-me carinhosamente pela mão e levou-me pelos claustros do convento até chegarmos ao jardim. No jardim todo ele estava revestido de coragem, coragem e modéstia, aliás a modéstia imperava.

Avisou-me que tinha uma cultura geral bastante vasta e que o QI dele era de 132 (QI bastante acima da média), disse-me que eu era muito bonita, querida e doce, mas que a minha saia era pirosa, porém bastante adequada para levar à festa do Avante. Isto tudo enquanto me beijava os ombros (aqueles beijinhos eram agradáveis) abstraí-me da conversa idiota, e concentrei-me nos beijinhos… mas as coisas foram avançado…ele queria um beijo de verdade, isso já era demasiado para mim, porque caso não tenham entendido, o QI elevado era directamente proporcional à estupidez dele, fartei-me de tanta palermice…quando me levantei para ir embora ele disse-me com o ar chocado de um super príncipe que é abandonado à solidão pela primeira vez na sua vida:

" Isso significa que não te vou comer aqui e agora???!!!"

Sobre a T.V. -Parte 2

No último post “conversava” convosco sobre o diálogo dos dois irmãos Crane. Neste post gostaria de contar-vos a segunda parte desse diálogo que ao mesmo tempo que servirá o propósito de encerrar a discussão à volta do Niles e do que deve ser a companheira perfeita segundo os psicólogos de Seatlle, ao mesmo tempo pretende dar o mote para a terceira parte desta série de deambulações sobre a T.V.

Nesta parte do diálogo, e depois de Niles ter aberto o seu coração “encornado” pelo Francis, Frasier agride psicologicamente o irmão por este ter confiado tanto em tão pouco tempo e principalmente por ter mudado tanto da sua personalidade para agradar a outra pessoa em vez de ser para agradar a si mesmo. Findados os insultos Frasier vira-se para o irmão e diz-lhe:

“Queres um exercício engraçado? Vamos construir a tua companheira perfeita, e para a ajuda visual vamos pensar em gente conhecida, da T.V., da Literatura, do Cinema, da Política…mas vamos procurar especificidades…por exemplo: Os olhos da Minnie Driver, a boca da Princesa Diana, a inteligência da Madonna e assim sucessivamente…no final comparas cada uma das características que elaboraste com a mulher que te traiu. Que resultado terás?

O resultado foi desastroso para a mulher obviamente, mas para o muito “posh” Niles a sua bipolaridade típica fê-lo dar um pulo de excitação e contentamento que deverá reinar durante uns significativos 2 ou 3 minutos.

Foi este exercício que eu fiz, e muito influenciado pelo Melvin Udall (http://img.2dehands.be/f/normal/12866118.jpg ) descrevo-vos a minha companheira ideal:

Ter a inteligência do José Manuel Henriques ( meu professor de mestrado )
(http://iscte.pt/mestrado.jsp?curso=79 )

Ter a sensibilidade de Pablo Neruda (http://sensoryoverload.typepad.com/sensory_overload/images/neruda1web-thumb.jpg )

Ter a sensatez do Kofi Anan
(http://www.unama-afg.org/images/kofi%20anan.jpg )

Ter a paz de espírito do Yann Tiersen quando compôs esta musica
( http://www.youtube.com/watch?v=y0DqgCxwhQg )

E é claro, o mais importante de tudo: o cabelo loiro, os olhos verdes e os implantes de silicone do Fauno.

Gabarolice? Não, obrigada!!!

Todos nós recordamos os contos de encantar que nos eram relatados na nossa infância, e verdade que ainda hoje me delicio a ler tais contos… mas será que os contos continuam iguais nesta nova era?!

Pensemos em alguns exemplos… Branca de neve comeu a maçã e ficou a dormir à espera do beijo do seu príncipe que quebrava o feitiço; A bela adormecida picou-se com a roca e também ficou adormecida esperando pelo beijo do príncipe; Cinderela era feita escrava pela madrasta enquanto esperava que o príncipe a resgatasse de tal sina; Rapunzel foi feita prisioneira na torre de um castelo e deixou crescer o seu cabelo para quando o seu príncipe aparecesse pudesse subir por ele e salvá-la.

Como se pode ver o cerne da questão não muda… a princesa fica descansada na sua vida enquanto espera pela chegada do seu príncipe que a salve. Mas será que isto hoje em dia funciona da mesma maneira?! Se as princesas dos dias de hoje se mantiverem trancadas em torres, adormecidas para a vida ou feitas escravas iram achar o seu príncipe? Obvio que não!!! Nada nos cai no colo se nos mantivermos isoladas ou adormecidas….

Na época de tais contos os príncipes andavam a vaguear em inúmeras aventuras, recheando as suas vidas com encontros amorosos enquanto as princesas continuavam donzelas à espera dos príncipes… e talvez pela falta de experiência e de termos de comparação elas ficavam encantadas com os atributos do príncipe que a salvava!!! Ou então tinha-lhes saído mesmo o jackpot e os príncipes eram uns deuses…

Hoje em dia a coisa não funciona assim, as princesas saem e vão à procura dos príncipes, certo que no percurso desta demanda encontram alguns plebeus que de príncipes não tem nada… para não falar que às vezes aparecem alguns que não lhes enchem em nada as medidas e a coisa sai totalmente para o torto… e como é também sabido o sexo é um ponto fundamental para se manter uma relação saudável… e é certo que as princesas de hoje já apresentam um certo conhecimento sobre este assunto (e às vezes com experiências um tanto o quanto horripilantes!!!).

E onde quero eu chegar com esta minha divagação perguntam vocês… pois bem, príncipes (podem nem ser o meu, mas de alguma princesa serão) não se armem em gabarolas, pois as princesas de hoje em dia não são naif’s e mais vale sabermos à partida com o que podemos contar do que irmos enganadas para uma aventura amorosa e no final as expectativas saem frustradas e só temos vontade de fugir a sete pés para nos trancarmos na torre do castelo mais alto que conseguimos encontrar!!!

Monday, September 04, 2006

…"vamos ficar só amigos!"

O assunto é melindroso e vou tentar ser o mais cirúrgico possível.
Caros amigos e amiguinhas, a amizade numa relação é em todos os aspectos o pontífice máximo a que se pode ascender, é ela a base e o cume, é a garantia do respeito, sinceridade e fidelidade assim como o elo mais durável que prende duas pessoas… tendo isto, todos concordamos que o conceito da balela "só amigos" é em si uma intrujice de quem não tem amizade para dar…

Então se dois sujeitos, (um masculino e outro feminino, ou dois femininos, quem quiser a outra combinação que procure noutro blog por favor…), se andam a papar um ao outro durante algum tempo, ou a viver um episodio romântico, vá, (…"por ser para ti eu uso um eufemismo"… Lado Lunar de Rui Veloso), e é chegada a altura de acabar a relação amorosa, voltam a ser amigos, mas não amigos… e sim simplesmente amigos… porque ninguém é na realidade só amigo, ou são amigos ou não são… e no caso em cima da mesa, (e perdoem-me a franqueza mas eu gosto muito…) depois de terem vivido situações de maior cumplicidade e intimidade, nunca poderão voltar a ser só amigos, porque ambos já terão visto os entrefolhos um do outro, os da alma e os do corpo e a amizade ascende a outro patamar… se continuarem deveras amigos, então só ascende e nunca poderá acontecer o contrario.

As regressões na intensidade da relação entre duas pessoas após acabarem um episodio romântico é natural durante um curto período de tempo, apôs o qual existem dois caminhos para o futuro da relação, ou uma amizade mais consolidada e forte, ou o distanciamento entre os dois actores; nesta ultima eles passam um pelo outro e acenam com a cabeça, e creio que é a isto que vulgar e erroneamente se referem quando dizem vamos ser só amigos

O meu conselho é, se algum dia usarem esta balela convosco, peçam-lhe para ir ver se está a chover no Líbano…

Sunday, September 03, 2006

Sobre a TV - Parte 1

Num dia destes da semana passada tive a oportunidade de fazer algo que de quando em vez me satisfaz de sobremaneira (não estou a falar das minhas visitas ocasionais aos estúdios de Carnaxide para apedrejar o Cláudio Ramos).
Depois de ter assistido ao Dr.House na Fox e depois de almoço gosto de render-me à lanzeira a ver o episódio de Frasier na Sic Comédia.

Para quem não está familiarizado com a série, a personagem principal é um respeitado psicanalista de Seatlle que para além de ser extremamente inteligente e requintado tem uma capacidade invulgar para ser mal interpretado por todos...em especial, pois claro, pelas mulheres. Frasier Crane tem um irmão - Niles - que tem tanto de inteligente como de pretencioso, snob e desajeitado e à imagem do irmão também ele é um reconhecido psicanalista divorciado com alguns "problemas no âmbito da sociabilidade com o sexo oposto".

Sendo ambos Doutores na mesma área "jurisdicional" é comum vê-los discorrer sobre as interpretações e as intenções escondidas do comportamento delas para com eles. No episódio a que assisti, que mais parecia ter sido feito por mim e para mim, aconteceram dois diálogos entre eles que retive com o nobre objectivo de os colocar sob a forma deste post.

No primeiro momento eles falam sobre o último falhanço amoroso do Niles. Ao que parece o pobre do Niles andava mesmo a esmerar-se e a fazer tudo aquilo ao contrário do que era seu hábito. Niles era agora inteligente sem ser pretencioso, humilde sem ser "spineless", deixou as prendas caras e sofisticadas e "frias" de lado e rendeu-se às prendas simples mas ultra-românticas, adoptou um estilo mais descontraído e estava sempre presente nos momentos mais difíceis da vida da namorada e celebrava com redobrada alegria os momentos bons pelos quais ela passava. Segundo ele, a relação na cama era uma bomba e todos os dias o Niles saía mais cedo do emprego para fazer um jantar romântico para eles junto à lareira de sua casa.

Muito embora ele pouco tivesse em comum com aquela mulher, ele adorava cada centímetro quadrado daquele corpo e cada grama das 21 gramas que pesam a alma humana(exceptuando a da Valentina Torres e a da Margarida Martins) e por isso fazia tudo o que ela gostava e a fazia feliz.Mas...e o que correu mal? perguntam voçês e o Frasier:

O que correu mal foi o Francis...ela arranjou outro.Ao que parece foi-se cansando da vida pacata que levava com Niles e foi sentindo que a relação que tinham faltava requinte, emoção e autenticidade. Pelos vistos Francis no seu jeito simpático, endinheirado, requintado e snob(para já não falar de mulherengo convicto) era mais genuíno...ah e ela ainda disse que afinal na cama o Niles não era grande espingarda se me é permitida a linguagem bélica...

imediatamente ele percebeu porque tantas vezes acabara a cozinhar para dois mas a comer sózinho...

Para que o ramalhete ficasse completo só faltava ele ter recebido depois da separação uma sms às 2 da manhã como aquele vez na semana passada que dizia:

"Querido Niles, fazer amor junto à lareira é óptimo não achas?"

O segundo diálogo que eles tiveram deixo para um outro post

Friday, September 01, 2006

A natureza reptiliana persistente

Para os ilustres membros desta já respeitada comunidade cientifica que tem como objecto de estudo a mente humana, deixo este inquietante artigo que trata sobre uma das nossas mais ancestrais facetas, a nossa natureza reptiliana…

Pois reparem a forma como nos relacionamos uns com os outros, a forma como cruzamos olhares, e por vezes usamos a língua para conhecer alguém… não se iludam, temos hoje tanto de réptil como outrora, e assim puxo um exemplo:

É com o olhar do antropólogo que há já algum tempo estudo o comportamento do ser humano quando a necessidade fisiológica toma posse da sua atenção, aquela que envolve assentamento do rabo na loiça, aquela que só sei fazer curvado como diz o Vitorino. Todo o fenómeno é envolvido de ritos e comportamentos tipicamente reptilianos e passo a descreve-los…

Primeiro surge o chamamento da natureza, e o indivíduo procura isolar-se do resto do grupo, e tal como um grande crocodilo, procura um lugar reservado, uma praia com uma sombrinha para ir por o ovo. Ora, encontrado o lugar perfeito, o réptil humano faz o ninho, e aqui está um dos pontos mais estranhos da cena que vos descrevo; os lavabos que encontramos por ai estão já equipados com todo o hardware que possamos precisar para fazer o que temos de fazer, mas o bicho homem não prescinde de personalizar o spot para o splunkt! e então enfeita com uma fofa e suave faixa de papel higiénico a orla do trono onde depois apoiará as bordas para nidificar. À semelhança da grande tartaruga de couro, o humano faz com muito carinho o seu ninho, em esforço, põem o ovo, ou ovos, e por vezes a semelhança é tal com o ancestral couraçado que chega mesmo a libertar uma lágrima, no caso das tartarugas existe a justificação de que é para limpar os olhos da areia, mas eu considero isto injusto, na realidade há muita emoção envolvida, tanto os humanos como as tartarugas sabem que é a ultima vez que verão aquela parte deles mesmos, pois uma vez a postura consumada, as tartarugas voltam ao mar e nós puxamos o autoclismo, nunca antes de olhar uma ultima vez, antes de os deixar livres no mundo, este grande lugar tão adverso quer para tartarugas bebés quer para cagalhões humanos…

Sim, ainda somos repteis por dentro, e voltarei mais tarde a desenvolver este assunto, pois muito fica por dizer.