Friday, March 24, 2017

Há dias assim...


 
Há dias em que não nos sentimos inteiros, há meses, há anos.
Há alturas em que parece que somos apenas uma sombra do que fomos, do que achámos que fomos, do que queremos vir a ser. Falta-nos brilho, falta-nos comoção, falta sabe-se lá o quê, mas falta.
O cabelo não brilha da mesma maneira, sentimos a nossa sensualidade a divagar pela rua da amargura. Não há nada que nos caia bem, nem o vestido preto nem a saia cintada, nada além de uma valente tablete de chocolate que nos estraga a linha por uma eternidade…
Há dias, há meses, há anos assim.
Há alturas em que os sonhos nos acordam com uma sacudidela pela manhã, dando ânimo para sair da cama, da rotina, do tédio. Mas logo uma avassaladora bigorna, prima direta de um cansaço gigante e sufocante, nos cai na cabeça e perdemos as ganas de concretizar.
Há alturas em que o cansaço se prende a nós e nada conseguimos fazer, parecendo que estamos amarrados a rochas milenares,  que fazemos parte delas, que somos o seu núcleo rijo e que de lá jamais será possível escapar.
Há dias assim.
Há dias em que tudo o que apetece é, simplesmente, nada. Tudo o que apetece é um ter um pouco de sossego nas ideias, parar o cérebro, a atividade cerebral, desligá-lo. Pensar demais cansa, torna-se extenuante. Pensa-se em tudo e em todo o instante. No que importa e no que não vale nem a ponta de um chavo… alimentam-se tristezas, rancores, memorizam-se frases certas para responder a pessoas erradas, pensa-se: “Da próxima vez é que vão ver como é que elas lhe mordem, vou dizer-lhe…” e nunca chega essa a hora, nunca chega a coragem, porque os nossos pensamentos não estão sempre em consonância com a nossa personalidade.
Há dias, há meses, há anos assim. Em que tudo o que se deseja é viver com nada, com quase nada ou com quase tudo o que importa. Só sobra o desejo de viver do amor, do sol, do mar, do vento, do fogo. Tudo o que sobra é o desejo de partir, levando o coração cheio de amor, levando o amor pela mão, um em cada mão e, partir.  Partir sem mais nada, quanto menos temos mais felicidade angariamos, mais sonhos cumprimos.
Há dias assim.

Wednesday, March 08, 2017

Celebrating good souls day - every day





I explained my daughter why I didn’t wished her an amazing “International women’s day”, Why I think this day shouldn’t be celebrated. The fact that such day exists represents a threat and gives strength to the very forces we try to annihilate.

I tell my daughter every single day that I love her... and I want to believe that the majority of us are trying to create a better world by having the best attitude to one another, and hope that this is passed on contaminating every single human... its so difficult to keep believing... I know!

Why do we need such a day as the “International Woman’s day”, there’s nothing good behind it! Or Am I missing something?

Morgan Freeman once said that he doesn’t want “The Month of Black History”, and I get that... He also said if you want to fight racism stop talking about those things... we will still teach History, in schools (the history of all colours) but we don’t have to celebrate them...

Woman deserved to be celebrated every day as well as plants, dogs, cats, turtles and man...


PS - I though it's appropriated to comeback to this space of debate with such a post, it's a huge responsibility on the first one after almost 10 years of silence... Thanks Vanessa and Catarina for bringing us back!


Faun, the feminist   

Tuesday, January 31, 2017

Ontem, hoje e depois de amanhã


Parece que não, mas na verdade 10 anos é muito tempo.

Não parece, porque não sinto o tempo a passar. Não fez vento, correu como uma brisa.
Se calhar porque nasci com o traseiro virado para lua, é bem possível porque nasci de madrugada. Se calhar aquela bola branca e brilhante, presa no negro do infinito, esteve sempre lá no alto a olhar por mim, desde 12 de Outubro de 81. A vida correu-me bem, corre bem.
Mas quero deixar-vos um cheirinho de passado, a doçura e preocupações do presente e esperanças do futuro.
Muitas letras deixei neste espaço, que construíram desabafos que me lavaram a alma em tempos difíceis, quando andava de coração aberto, à espera que um tesouro de origem italiana entrasse nele. E não é que entrou mesmo?! Disse-vos, fui bafejada pela sorte.
E é envolta no brilho desse tesouro que vivo há quase 8 anos. Não poderíamos começar a nossa história de um modo convencional, até porque haverá pouco disso em nós, e então, de forma a cumprir o sonho de ambos, partimos de lua-de-mel sem casar. E essa lua-de-mel foi o casamento mais bonito que este mundo já viu. O casamento foi uma festa constante que durou por 10 meses. Um dia celebrávamos junto a uma cascata que vinha do céu e ao desfiar-se em terra abria-se numa bruma de borboletas de asas transparentes, no outro no fundo do mar por entre corais e raias aladas, no seguinte no topo das nuvens com o ar tão rarefeito que respirar e dar um beijo em simultâneo era uma proeza atroz.
Fundimos as vidas, os corpos e os sonhos. Fizemos uma vida a dois, uma casa a dois, depois juntou-se a princesa canina. Linda e doce que só ela.
Fizemos um filho, a nossa pérola. Fizemos uma vida a três sem nunca deixar de ter espaço para a vida a dois. Seremos sempre dele com a certeza de que, antes, já éramos um do outro. E isso parece-nos belo, parece-nos especial.
Enquanto escrevo apercebo-me, realmente, que tenho uma vida cheia e é por isso que me estarreço e transtorno, com a realidade de muitas vezes não me sentir em pleno, de não deixar a felicidade do meu dia-a-dia entrar em mim como deveria. Existem, nos últimos anos, uns quantos fantasmas que me atormentam o juízo mais do que quero, mas não os consigo frear. São sombrios, vazios, não são merecedores de atenção, mas em tempos já foram. Penso que é isso que mais me incomoda. Essas auras escuras que me procuram, em tempos foram personagens plenos de cor e presença na minha vida.
Neste momento não merecem qualquer atenção, tão pouco os meus pensamento ou angustias, mas fazer o que? Uma pessoa não cresce quando quer… Devo aprender a tornar-me imune ao veneno.
Neste momento tenho a vida tão recheada de coisas boas, qual bola de Berlim a explodir de creme no fulgor do Verão, mas há umas quantas azeitonas a dar-me uma azia daquelas…
É como viver nas Caraíbas e estar sempre com um azedume no estômago que não nos deixa ver o azul transparente do mar, ouvir o canto das aves marinhas ou sentir o calor da areia a acarinhar-nos a pele .
No futuro, não muito distante, irei entrar com os meus na Toca do Loba, conto com a vossa ajuda para desbravar terreno e torná-la um lar.
Serão convidados de honra, prometo.




Devorador de cauda - Ouroboros

Um dos mais antigos símbolos mitológicos, onde o passado (a cauda) parece desaparecer, mas na realidade movesse para um domínio interior, desaparecendo de vista mas mesmo assim existindo; símbolo da ressurreição.
Somos feitos de vivências e vamos-nos transformando ao longo do tempo de acordo com estas vivências e citando um comentário deixado a 10 anos atras (sim fiz o trabalho de casa e fui rever e reviver) pelo nosso caríssimo Fauno :
"... momento fabuloso que deixaste aqui, e embora eu saiba que és assim, não me deixas de espantar...

....uma reflexão sobre o que será do mundo daqui a 26anos... Portugal será mais um condado espanhol, a guerra pelo petróleo terá acabado, porque as reservas desse sangue da terra se esgotaram... eu provavelmente serei avô... só coisas boas...e as coisas más, quais serão as ameaças? estamos cá para ver

PS - Será que este blog existirá daqui a 26 anos? Será que a google manterá este serviço gratuito? Será que nós vamos estar ricos a viver dos direitos de autor de qualquer baboseira que tenhamos escrito aqui??? OXAlÁ!!"

Aqui estamos nós, não passado 26 anos, mas sim 10.... mais maduros (ou não!!!), centrados e com visões diferentes da vida derivado de sabores e dissabores vivenciados e interiorizados...
Assim crescemos, assim evoluímos, assim renascemos a cada ciclo fechado.

Sendo assim que comece o próximo acto

Cortar o cabelo é um ato que não penso que seja algo de grande importância.... sim cortamos por vaidade, por mudança, para nos ficarmos a sentir melhor (ou não consoante o resultado final!!!), mas não é algo pela qual eu me rija.
Após 2 anos sem o meu cabelo ver um tesoura (ja poderia poupar uns troquitos em papel ) resolvi dar um novo look. Falaram-me de um cabeleireiro top top, que era isto que era aquilo, e lá fui eu.
Chego à hora marcada e enquanto espero pela minha vez ouço a conversa existente naquela atura sobre doação de óvulos, doação de espermatozóide, fertilização in vitro.... barrigas de aluguer....Ronaldo.... chegando a parte das telenovelas.... e eu a pensar fogo onde me vim eu meter!!!
Chega a minha vez.... quer doar o cabelo? Ah claro que sim que sirva para alguma coisa pelo menos! Faz-me um rabo de cabelo pega na máquina e zás trás.... cabelo fora. Lavem-me o cabelo (melhor parte da ida a estes locais) e depois encaminham-me para a cadeira para a transformação.
O homem lá começa a fazer a sua magia tesoura em riste à volta da cadeira e vai a um lado e depois a outro e depois roçadela no ombro com a sua parte mais máscula (hoi será imaginação ou alucinação minha devido ao desequilíbrio sentido em mim depois de me cortarem uma parte de mim?!). Mais uma volta na cadeira mais umas tesouradas ... WTF?!... o homem está obcecado pelo meu ombro ou quê?! Tanto espaço a minha volta...
Acabou a conversa, acabou a cara risonha e finalmente acabou o corte... Porque seus borregos o meu ombro é só para roçar aquele que eu quero e não quem quer... não é património público!!!

Moral da história: rapunzel prepara-te vou bater o tamanho do teu cabelo!

Sunday, October 25, 2009

«O MANUAL DE MAUS COSTUMES»


«O MANUAL DE MAUS COSTUMES»







Asneira é uma palavra derivada de asno e, pelo menos entre os humanos, um asno é um estúpido, um homem (ou mulher) que faz, diz ou escreve asneiras. Os asnos não falam, não escrevem e são usados como metáfora, sem dúvida cruel e injusta, para designar um ser humano de vistas curtas e inteligência diminuta: se fosse preciso, pediria desculpa aos asnos verdadeiros por utilizar aqui a palavra asneira, do nome deles derivada. Porém, felizmente para mim e para eles, não terei que levar a cabo um tal pedido: eu uso apenas a palavra, sem pensar nos animais que, contrariamente à etimologia, do seu nome advinda, não produzem asneira, e eles nada sabem destas artimanhas verbais dos homens, pelo que ficamos todos bem - eu e os asnos (esses mesmos, os de quatro patas, os de orelhas compridas).

Ultimamente tenho ouvido muitas asneiras: e eis-me de novo a sair a terreiro para defender José Saramago. Não que ele precise seja de quem for para defendê-lo, mas porque a ignorância que grassa nas mentes é de tal modo grotesca que resolvi prestar alguns esclarecimentos a quem eles puderem ser, eventualmente, úteis.

Ainda não tive oportunidade de pôr a mão no livro «Caim» pois toda a atoarda emitida pelos meios de comunicação social, toda a polémica, e consequente criação de escândalo, produziram o efeito de varrer das livrarias a obra que foi esgotando em lotes sucessivos; quando decidi comprá-lo, não o encontrei em parte alguma. Porém, contrariamente a muitos daqueles que pregam contra as heresias, alegadamente proferidas nesse livro, eu conheço suficientemente a Bíblia para entender razoavelmente o sentido da expressão usada por Saramago ao referir-se ao livro sagrado como «um manual de maus costumes».

Obviamente que Saramago está a levar em conta o Antigo Testamento, esse em que um deus cruel e vingador pontifica como protagonista e desencadeador de inúmeras carnificinas, injustiças, calamidades, destruições, ódios, vinganças e por aí adiante. Um deus que, por inércia e ócio, se diverte a criar um mundo e nele dois seres privilegiados: o Homem e a Mulher. Instala-os no Jardim do Éden, fá-los senhores absolutos de um local de delícias mas com alguns limites, dentro do seu superior controle. Deixa-os fazer tudo, permite-lhes o prazer, a indolência, a gula, apresenta-lhes frutos prodigiosos e sumarentos das diversas árvores do Jardim: mas aponta-lhes uma, talvez a mais frondosa e colorida, decerto a que, no centro do Paraíso, prometia maiores delícias gustativas, e ordena: «Daquela não podereis comer, porque no dia em que o fizerdes expulsar-vos-ei do Paraíso!» Porém, ela estava lá, essa árvore magnífica, e o primeiro par de humanos passava por ali nas suas deambulações e não conseguia entender por que razão lhes era vedado tocar naquela, precisamente naquela, e só naquela. Que quereria Deus dizer com «expulso-vos do Paraíso»? E porque razão comer um fruto de uma árvore, no meio de tantos frutos de tantas árvores poderia ser motivo para «expulsão»? E mais: expulsão, para onde, se eles nada conheciam que não fosse aquele jardim, para eles concebido?

Ao mesmo tempo que deus criou a proibição, inventou, de igual modo, a tentação e a dúvida, inventou o engenho nas inteligências primevas e amodorradas dos primeiros humanos, que se sentiram inevitavelmente atraídos para aquilo que lhes havia sido proibido, querendo perceber a razão de semelhante restrição e, quem sabe?, entender também o sentido do termo expulsão e as consequências de semelhante castigo. Logo, deus criou, em simultâneo, a origem do pecado e o próprio pecado pois construiu Adão e Eva com uma perplexidade inicial, com um dilema e com um desafio. Deu-lhes tudo, à excepção do livre-arbítrio, concedeu-lhes o alimento do corpo em profusão, mas não lhes alimentou, do mesmo modo, a imaginação e a inteligência. E assim, inevitavelmente, os dois habitantes do Éden comem da árvore proibida! Eles «tinham» que comer e deus sabia disso. Eles «tinham» que vencer o desafio da proibição, ultrapassando-o, e deus também o sabia. Logo, deus criou Adão e Eva com essa capacidade inicial para não resistir à beleza de um fruto interdito pelo criador e sabia que estava a criá-los exactamente assim.

Que deus é este que gera a perfeição, mas lhe coloca, de imediato, limites e entraves? Que deus é este que dá tudo às suas criaturas – aquelas que criou à sua imagem e semelhança – e lhes põe permanentemente debaixo do olhar e de todos os sentidos o obstáculo à mesma perfeição? Que deus é este que coloca a espada da cisão e o fantasma da expulsão humilhante à frente dos seres criados como seu reflexo terreno?

Adão e Eva comem o fruto interditado e percebem uma quantidade de coisas que a cegueira amodorrada do jardim das delícias lhes tinha impedido de ver. E deus, o pai e criador, não está com meias medidas: expulsa-os e condena-os a uma existência dura e ingrata, envia-os para terrenos inóspitos que precisarão de cavar com as próprias mãos, de onde deverão fazer emergir o alimento, antes oferecido graciosamente, e obriga-os a multiplicarem-se como os outros seres da natureza na aflição e na dor.

Manual de maus costumes? É claro! Um pai que proíbe, sem explicar porque proíbe, um pai que ameaça castigar o prevaricador, sem dar qualquer indício do sentido de semelhante prevaricação, um pai que castiga e condena esses dois primeiros pecadores, e todos os outros que deles serão gerados, a um nascimento contaminado por uma falta absurda, insensata, ridícula. Imitaríamos nós um tal pai? Seríamos capazes de educar deste modo os filhos por nós concebidos?

Depois, Adão e Eva, na labuta terrena, engendram dois filhos: Caim e Abel. E deus, vigilante, observa que a índole de um é diferente da índole do outro e, em vez de acarinhar o mais fraco, em vez de se intrometer positivamente na construção do carácter de Caim, favorece, com a sua predilecção, Abel, o melhor dos dois, gerando a inveja, o ódio, o ímpeto assassino no desfavorecido, no rejeitado. Ambos trabalham e ambos oferecem a deus o produto das suas respectivas tarefas, cereais e cordeiros, e enquanto o pai e criador, recebe com agrado as oferendas de um, rejeita com desprezo as dádivas do outro. Que admira que a raiva recrudescente tenha levado Caim a matar Abel e a suprimir desse modo o privilegiado, seu rival, sua sombra, instrumento do seu castigo e da sua desgraça aos olhos de deus? Afinal, quem matou Abel não foi Caim, foi deus, esse que discriminou e enraiveceu e enregelou um irmão perante o outro, esse que a partir dessa hora abriu caminho para todas as guerras fratricidas perpetradas pelos milénios além e que, apesar dos esforços de muitos homens, continuam e continuarão acesas no lume sanguinário do sangue irado de Caim.

Manual de maus costumes? É claro! Que pai humano rejeita e abomina o seu filho, mesmo quando ele erra, que pai humano não se dispõe a acarinhar o filho mais fraco ou rebelde para o colocar no bom caminho? Que pai humano estabelece diferenças entre os seus filhos e rejeita ostensivamente as oferendas do menos bom que, apesar de ser menos bom, ainda assim quer agradar ao progenitor?

E um dia, o criador do mundo e dos seus primeiros habitantes humanos, obrigados a dar à luz em partos sucessivos, obrigados a descender de Caim, o ignominiado, o fugitivo, obrigados a albergar em si a semente do mal, neles deposta pelo próprio criador, enjoa-se da sua obra, fica repugnado com a miséria das suas criaturas reles, reles, porque ele assim as quis, reles porque reles era também o mesmo criador. Não pensa redimir o seu próprio erro e emendar, num gesto omnipotente, a mão inicial, salvando as criaturas perdidas pela sua própria incapacidade de educar a criatura. Torna-se assassino declarado e elimina toda a espécie num dilúvio universal, de onde não pretende deixar escapar a sombra de um homem; mas faz pior ainda: elege, de entre todos, um casal e a sua família, os únicos que no seio das multidões perversas e pervertidas lhe merecera complacência e, nesse gesto, discrimina, de novo, afunda nas águas revoltas homens, mulheres e crianças e apenas salva aquele punhado de seres, com a promessa de que, mais tarde, eles seriam a condição de um mundo melhor: esse que ele, enquanto deus, não foi capaz de conceber e executar.

Manual de maus costumes? Na história dos homens, só os bárbaros e os loucos, os tiranos e os ditadores promoveram, no mundo tal como o conhecemos hoje, genocídios aproximados a este! Só os degenerados que, apesar do sacrifício da geração de Noé continuaram a ser concebidos e tolerados por deus criador, levam a cabo, em pequena escala, um procedimento de tal modo cruel e implacável!

E a saga bíblica prossegue e encontramos um certo Abraão, dilecto de Deus, um homem poderoso e chefe de outros homens numa tribo de pastores, um homem eleito e contudo incapaz de ter um filho apesar de muitos pedidos a esse deus clemente e piedoso. E eis que em extrema velhice deus permite que Sara, a mulher estéril de Abraão, conceba e dê à luz um filho, Isaac, o primogénito, o descendente. Tudo parecia estar no devido lugar, até ao momento em que deus fala a Abraão e lhe exige que suba à montanha e uma vez ali, no silêncio absoluto e sem testemunhas lho ofereça em sacrifício! E Abraão não hesita, temente a deus, servil e incauto, e conduz Isaac inocente até ao sítio indicado por deus e, uma vez ali amarra-o, levanta a faca para degolá-lo; até que deus proclama: «Provaste a tua fé, por isso desamarra Isaac e sacrifica-me aquele cordeiro!»

Manual de maus costumes? Que Deus é este que dá um filho a um pai e o faz amá-lo e depois lho arranca na satisfação mesquinha de um simples capricho – «quero ver se valho alguma coisa para este homem, quero ver se ele tem fé em mim, quero testar de novo o meu poder!» Qual de nós obedeceria a semelhante Deus e se disporia a matar o próprio filho para satisfazer um capricho, por mais divino que fosse ou aparentasse ser? Qual de nós não morreria de horror perante a necessidade de assistir à morte terrível do sangue do nosso sangue, por nós mesmos executada? Qual de nós seria capaz de regressar para casa de boa consciência, mesmo depois do cancelamento do acto executório, e olhar nos olhos o filho prestes a ser executado e a mãe, companheira de vida e amante desse único filho gerado apesar da própria esterilidade?

Poderia prosseguir durante páginas e páginas mas não me parece que valha a pena. Estes exemplos chegam para definir o carácter desse nosso alegado criador, desse tirano caprichoso e incompetente, incapaz de fazer seja o que for de bom, e apesar disso vingando-se nas suas vítimas da própria imbecilidade.

Muito mais tarde, aparentemente, deus fez uma boa acção: inventou um filho mestiço – semi humano, semi divino – deu-lhe qualidades positivas e ordenou-lhe que salvasse os homens, pô-lo em condições de corrigir a sua maldade e incompetência criadora. Esse homem enigmático e de origem misteriosa, Jesus, inverte o sentido da implacabilidade criminosa do pai, anuncia o perdão, o amor, a benevolência e a tolerância. Opõe ao gume do machado, o gesto da bondade, ao grito de furor, a serenidade das palavras, à saga da destruição, a quietude de um mundo feito na concórdia. Todos sabemos que já era tarde demais, todos vemos que o hebreu Jesus passou pela terra sem que um só o entendesse cabalmente, a ponto de tornar universal a verdadeira boa nova. E de novo, o cristianismo emergente das palavras e dos actos cifrados desse filho de deus e do homem, miscigenado em corrupção divina e inocência humana, gerou crimes, ódio, guerra!

Manual de maus costumes? Que deus é este que envia um filho, através de um embuste humano – uma virgem que procria – para a seguir o condenar à morte ignominiosa dos ladrões e dos assassinos? Que deus é este que não é suficientemente eficaz enquanto pai, desta vez directo, de gerar um filho com a competência absoluta e efectiva de redimir o aleijão, criado e consentido, que dá pelos nomes de mundo e de humanidade?

Vá lá, vão ler a Bíblia, esse livro que tanto mal tem feito aos homens, geração após geração, leiam-no com sentido crítico, analisem-no com inteligência, não dêem ouvidos aos pregadores que inventaram, há um ou dois séculos, que, afinal, a Bíblia é apenas literatura, um texto magnífico engendrado por pessoas inspiradas e que tudo o que ali se consigna significa o contrário do que está expresso! Analisem aquelas histórias aterradoras e maquiavélicas como se elas fossem mesmo a história da nossa génese, e não como metáforas de um deus, afinal complacente e justo, mas desfigurado nas linhas alegóricas da mistificação literária. Talvez a seguir possam concordar com Saramago e admitir que a Bíblia é, de facto, um manual de maus costumes, um relato de perversões e maldades, de crimes e genocídios e que tudo isso tem a marca de um suposto criador, tido como omnipotente e infinitamente bom, mas afinal fraco, caprichoso e absurdamente maléfico.

Friday, May 23, 2008

Sou pobre... - Estudo Sociológico sobre a estratificação económico-social

Conclusões

Ponto Primeiro
Definição/Diferenciação de estatuto

Os ricos adoram dizer quanto custam as coisas que compram quando são muito caras...quanto mais caras mais gozo lhes dá dizer ao mundo quanto dinheiro deram por aquilo... eu, que sou pobre, gosto de dizer o preço das coisas que compro quando são baratas... e quanto mais baratas maior a minha satisfação ao contar aos outros o estrago...

Sunday, March 02, 2008

Ciúme, o caruncho do amor

Vou-vos falar da mais destrutiva força do universo, venham meus queridos, sentem-se em meu redor e oiçam as palavras de quem enfrentou o ciúme, o caruncho do amor.

Eis que de repente e sem teres feito nada para o merecer, te encontras no centro de um julgamento implacável, onde não está previsto qualquer intervenção da defesa, ela não existe nesse lugar, e qualquer atitude de auto protecção da tua parte só levará ao agravamento da pena…

As guerras dos homens podem ser deveras atrozes, e abalar-nos a fé na redenção da sociedade… mas o ciúme, quando desponta, faz-nos esquecer que já um dia existiu paz… a tempestade é de tal forma densa e sufocante, o seu ruído é tão omnipresente que passamos a acreditar que sempre ali estivemos no centro dela, que lhe pertencemos, e enquanto a consciência da nossa insignificância se apodera de nós, desvanecessem-se as boas memórias e esquecemos os sonhos para o futuro.

O ciúme consegue destruir aquilo que de mais belo existe entre dois seres… e tem a sua origem nos abismos da alma… no sentimento de posse de um sobre o outro, na vontade egoísta de exclusividade de um ente.

Face a este inimigo, há pouco que possas fazer, não podes impedir que ele nasça no seio da mais perfeita relação, e tão pouco podes fazer para extrai-lo uma vez instalado no cerne…

Para lhe sobreviver basta contudo teres confiança nos sentimentos de ambos os lados, seres tenaz e manter a calma… A injustiça do fenómeno é equiparável à das tragedias que ocorrem todos os dias no mundo, de nada te vale a comiseração, pelo contrario, deves tentar manter a consciência da tua inocência e a presença de espírito para não te deixares arrastar pela turbulência da cena.

Eventualmente a tempestade se extinguirá… e pelo meio dos destroços poderá o pomar poderá voltar a florir e a dar fruto… haverá sempre baixas, mas os sobreviventes ficarão mais fortes.

Existe um momento zen ancestral, que conta a desventura de um ancião que caiu nos rápidos do rio, durante uma festa da aldeia… todos o virão cair e ser arrastado para as quedas de água… ninguém lhe opode valer, e todos pensaram que iria morrer, contudo passado algum tmepo e para espanto de todos, viram-no sair opelo próprio pé, o ancião ensopado, mais à frente onde rio corria calmamente… todos correram para ele perguntando-lhe como tinha conseguido sobreviver… ao que o ancião respondeu: “A força do rio tomou-me e levou-me para baixo… como não podia lutar contra ela deixei-me ir, e assim como ela me levou as profundezas, foi também ela que me devolveu à tona!”

Wednesday, February 13, 2008

O Caminho da Formiga Transcendente

VÉNUS EN VENEZA DEPOIS DE NASCER, Regina Sardoeira

O Caminho da Formiga Transcendente

UMA FORMIGA seguia sozinha por um carreirinho que ela própria não tinha construído e, para uma formiga, seguir sozinha por um caminho alheio é algo de incrível. A formiga olhava à sua volta, parava, olhava para trás e continuava seguindo em frente porque seguir em frente é destino de formiga. É destino de formiga, também, apanhar, no caminho, grãos que carregará às costas para um qualquer celeiro muito seu.
Incrivelmente, aquela formiga não apanhava grãos. Incrivelmente aquela formiga não tinha um celeiro seu. Só andava, com as suas patas minúsculas mal imprimindo sinais na areia compacta. E, coisa acima de todas incrível para uma formiga cujo destino é andar em frente, de repente a formiga parou.
Foi mesmo assim, parou, estacou abruptamente como se alguma mão lhe sustivesse o andar.
Durante uns segundos, ínfimos, a formiga deteve-se, parada sob o sol e, brusca e sincopadamente, levantou a cabeça, ergueu-a toda e com os olhos, olhos de formiga, notem bem, viu o sol, lá em cima, um pedaço de azul e duas ou três nuvens esfarrapadas e brancas. As patas dianteiras não conseguiram sustentar-se no solo, juntaram-se, um sorriso desenhou-se no rosto esclarecido da formiga... e nunca mais ela caminhou já que uma pata gigantesca, uma sola cravejada, acutilante, se abateu sobre ela e lhe esmagou a consciência precoce. E foi assim que a história não escreveu a odisseia mágica da formiga transcendente.
Fábulas e Mentiras, Regina Sardoeira

Sunday, November 04, 2007

Caça às Bruxas

Celebrei 26 Outonos a meio do mês passado. Nunca faço grandes festejos no dia do meu aniversário, não me sinto especialmente feliz, é normalmente um dia vulgar sem lugar a grandes devaneios (até porque esses não se planeiam). No entanto tenho por hábito aproveitar a ocasião para sentar à mesa os amigos mais íntimos e durante umas horas partilhamos histórias e rimo-nos das “diarreias mentais” de uns e outros.

Este ano não foi possível agendar um jantarinho com os corajosos que me amam e que me aguentam há anos. O meu ritmo acelerado de trabalho não permitiu que nos juntássemos.
Pensei e cheguei à conclusão que 26 anos seriam uma idade marcante, sempre achei que a adolescência acabava aos 25 anos e que os 26 anos já trariam consigo o peso enfadonho da maturidade.
Passei o dia no trabalho a pensar no que poderia fazer para melhorar o meu estado de espírito, estava decidida a não passar em casa as poucas horas livres que teria no meu primeiro dia marcado pelo peso da maturidade trazido pelo vigésimo sexto ano da minha existência.

Do nada surgiu-me uma ideia!

“Boa noite, tem mesa para duas pessoas, para logo à noite?”
“Tenho pois, apenas jantar, ou vai querer ler a mão?”
“Jantar para duas pessoas e leitura da sina e do tarot, só quero o tema amor, para uma pessoa! Pode ser?”
“Com certeza, até mais logo!”

Decidi que iria fazer algo diferente, decidi antecipar-me à vida e quis tentar descobrir o que o futuro me traria, a culpa desta insanidade é da Maia, há anos que me suscita curiosidade... e não estou a falar da abelha Maia que anda atrás do Calimero, como a outras abelhas normais andam atrás do pólen! Falo da outra, aquela que quer ter uma caso com o Cláudio Ramos e com a intenção de o agradar até já fez uma plástica ao narizito, que continua tudo menos …ito…!

Mas bem, resolvi ligar à minha mãe e avisá-la que o nosso jantar no dia 12 de outubro de 2007 ficaria marcado por um sabor esotérico.
“Oh, filha não te metas nisso!!! E se elas te dizem que vais ter uma doença ruim?”
Mas como boa mãe que é, lá aceitou o meu convite, achou por bem acompanhar-me, não fosse a bruxa diagnosticar-me uma gonorreia!

Chegadas ao restaurante, encaminharam-nos para uma mesa, serviram-nos a entrada e perguntaram-me se estava pronta para ler a sina. Óbvio! Estava mais do que pronta! Abandonei a minha mãe na mesa com as entradas e a sangria e fui ter com a cigana, que por acaso não era cigana nenhuma…

Sentei-me à sua frente e não disse mais nada além de: “Boa noite!”

E ela começou a debitar…
Vou então partilhar convosco: Vou viver até aos 84 anos, com muitíssimo sucesso profissional, aliás, irei trabalhar até ao fim da minha vida.
(Reforma aos 65 anos, esquece lá isso!)
Sou uma pessoa muito emotiva, sensível e apaixonada e nunca, mas nunca Mesmo tolero que me dêem menos do que aquilo que eu dou.
(Altruísmo, o que é isso? )
Viu muito stress, muita ansiedade e muito cansaço na minha vida profissional actual.
(Ou seja, disse-me indirectamente que estava com uma má cara do caraças, com umas grandes olheiras!).
Disse-me que via muitas viagens ao longo da minha vida…muitas.
Perguntou-me se eu estava apaixonada, não respondi, encolhi os ombros. Ao que ela me disse que tinha duas pessoas muito diferentes que andavam a abalar a minha vida sentimental.

No final olhou para a minha mão com um ar completamente chocado e disse: “Ahhhhhhhhhhhhh!!! Não poderia supor!!! Como é que uma menina com uma personalidade tão bonita tem um defeito destes??? És muito ciumenta…e possessiva!!! Tens de acreditar mais em ti!!!!

(Eu não pago para ouvir desaforos!)

Fim da sessão!

Voltei à mesa.
Contei à minha mãe, mordisquei um frito, bebi um golinho de sangria. Respirei e dirigi-me desta vez à bruxa do tarot.

Dei boa noite à Dona Bruxa, esta sim…era mesmo bruxinha, sobrancelhas finas, olhos pintados de negro, unhas de urso pintadas de vermelho. Disse-lhe que o tema pretendido era: Amor.
Nisto vira as carta e por cada carta que vira vai levantado a sobrancelha e encolhendo o queixo em direcção ao pescoço…fiquei assustada!

“O que aconteceu na sua vida no último mês?? Tem a sua vida amorosa em total reestruturação!!!!!!”

“Viajei”, respondi em silêncio para mim mesma.

“Querida, nada vai voltar a ser como antes!”
“Vais casar e em breve! Não daqui a 1 ou 2 meses…mas daqui a um ano estás casada!
Já conheceste esse homem, conheceste-o em alguma das tuas viagens. Mas toma atenção! Tens que crescer…és muito imatura, possessiva, tens que aprender a lidar com os homens!”

(Fixe, fixe…conheci-o numa viagem!! Boa ajuda hein, qual delas? A da Disneyworld quando tinha 7 anos? Tenho de aprender a lidar com os homens..hehehehehehhe…só se ganhar barba, pêlos nas pernas, voz grossa e se aprender os nomes de todos os jogadores e dirigentes do Benfica…"tenho de aprender a lidar com os homens"…ela que aprenda a lidar com morcegos! Bruxa…!)

Ousei perguntar: “ Então…e….esse do casamento, será o último homem da minha vida?”
Respondeu: “hummmmmmmmmmm...não, definitivamente não!”.


Resumindo, paguei 20 euros no total, para as bruxinhas me chamarem imatura e ciumenta!
Vou morrer velha, a trabalhar e serei promíscua!
Realmente, 20 euros para ouvir isto…

Bem, a vida está difícil para todos! As bruxas já não se deslocam na vassoura e a gasolina…Ui, está pela hora morte!

Wednesday, October 31, 2007

Dedicado ao Amor da minha vida



Amo-te...
Amar-te-ei para sempre e isso dói demais...

Aqui fui Jaime, na rua sou Latas,em casa sou Ricardo e no metro quadrado que cerca o nosso respirar sincronizado fui Mor...

Aqui neste espaço pude mentir, delirar, incorporar uma personagem que pouco tem de meu.O que me faz ser conheceste-o como ninguém. Viste-me chorar de emoção, viste-me chorar de tristeza e decepção, viste-me gargalhar de felicidade e satisfação. Viste-me doente, viste-me revoltado, viste-me emocionado, viste-me frágil, viste-me forte...viste-me de peito aberto, de mão trémula e de alma nas mãos a sussurar-te ao ouvido: "Pega...é tua...pertence-te"

Desenhei contigo um futuro que se perdeu algures no caminho por culpa exclusiva nossa.Sempre foi dificil gerir uma distância física tão grande.Todos os kilómetros e horas de viagens que fizemos foram poucas para matar uma sede que não passava, uma fome que não descansava e uma saudade que não pousava armas.Fazia-las de novo, duplicava-as, triplicava-as para ter a certeza que tinha feito tudo...dormiria no passeio da tua rua, faria dos canteiros a minha cama, faria do vento e do frio almofadas e faria da tua janela o ponto fixo do olhar.

Numa passagem de ano há muitos anos atrás, ainda eu me esforçava para não me apaixonar por ti, mandei-te uma mensagem que dizia:
"deixa-me ir aí onde estás.Durmo na rua, estarei mais feliz sentado no passeio da tua casa ao frio que agora nesta casa quente cheia de amigos"
Ainda hoje me lembro perfeitamente da viagem que fiz de regresso a casa nessa manhã de dia 1 de Janeiro.Da roupa que tinha, do autocarro que apanhei, do caminho que fiz, de tudo o que senti...passei pela casa antiga do meu avô para lhe contar que te tinha encontrado e para lhe dizer que queria ser pela primeira vez feliz contigo...

Escrevi-te cartas, escrevi-te músicas, dediquei-te bilhetes de amor, andei centenas de kilometros,viagei milhares de milhas naqueles barcos, viagei milhares de kilometros naqueles transportes,roubei dezenas de vezes o carro ao pobre do meu pai...e tudo agora me parece tão pouco...fiz tão pouco...

És e serás sempre o grande amor da minha vida.Contigo fui menino, contigo fui rapazola, contigo fui homem.Beijar-te-ei todas as noites sem saberes.Tocar-te-ei no corpo todas as noites sem saberes.Enconstarei o meu nariz no teu cabelo todas as noites sem tu saberes,sorrirei para ti todas as noites sem tu saberes, pedir-te-ei em casamento todas as noites sem tu saberes, e se um dia acordares com o rosto molhado...foi porque chorei nessa noite sem tu saberes...

AMO-TE e AMAR-TE-EI para sempre Joana Margarida O. Vasconcelos

Ricardo JM Latas

Da "Castidade" da Virgem aos Cornos do Carneiro

Hóroscopos.Quem é que acredita neles?

Nunca acreditei nas previsões dos hóroscopos.Para mim os hóroscopos são como o cabelo do Paulo Portas...ainda ninguém sabe ao certo se é verdadeiro ou não.

Este é o meu horoscopo da semana:(http://horoscopo.clix.pt/astrologia/horoscoposemanal/70500.html)

Amor - Nesta face as crianças poderão despertar a sua atenção. Participe nas suas brincadeiras, pois estas poderão lhe proporcionar momentos de felicidade e bem-estar. A vida amorosa está neste momento favorecida, pelo que é possível que inicie uma nova relação amorosa ou que aprofunde a que já existe.

Trabalho e Dinheiro – Nesta fase poderá sentir necessidade de dar asas ao seu lado criativo e aventureiro. É possível que sinta que o seu emprego não lhe preenche as suas necessidades de realização pessoal e, em consequência disso, surjam alguns atritos e conflitos com os colegas de trabalho. Relaxe e procure ver o que poderia fazer por si e pela sua carreira.

Saúde e Bem-estar – Maior susceptibilidade orgânica a doenças e a transtornos físicos que, mesmo que não sejam sérios, podem provocar mal-estar e reduzirem a sua boa disposição. Há uma maior probabilidade do sono ser pouco restabelecedor e de se sentir, em consequência, mais cansado e menos resistente aos problemas com que se depare. Se fuma, é uma boa altura para reduzir ou mesmo largar o tabaco.


E estas são as características do meu Signo:

Personalidade do Carneiro: "Eu primeiro"

Tente dizer a um Carneiro para seguir o chefe. Eles fogem! Batem com os pés, esfumaçam e abanam os braços furiosamente. Os Carneiros não seguem, eles são os líderes. Sabem o que querem, e vão buscá-lo. Se não, agem como uma criança mimada. Os Carneiros malucos põem os tornados a um canto. Passa algum tempo com um Carneiro, e precisarás de umas férias. Eles andam às voltas como um tornado. Observá-los é desgastante. Não adianta acompanhá-los, é simplesmente impossível. Carneiros dizem exactamente onde se encontram, não é necessário perguntar-lhes. Dizem tudo sobre eles e depois perguntam sobre o que pensamos sobre eles. Eles estão virados para si mesmos. Não pense que eles não se importam se estiver a ouvir ou não. Eles precisam de ser amados por todos. No fundo, eles preocupam-se sobre não gostarmos deles.

AMIZADE
Os Carneiros são muito faladores, conhecem todos e fazem com que todos os conheçam. Querem que o mundo seja amigo deles. Gostarão de todos que os ouçam. Estão longe de serem esquisitos com as pessoas. Eles gostam de amigos espectaculares e bem sucedidos, que os ajudem a parecerem bons. Pedirão grandes favores, e retornarão os favores igualmente, se estiverem por perto. Eles podem desaparecer durante anos e reaparecerem na nossa vida quando menos esperarmos.

AMOR
Eles adoram apaixonarem-se perdidamente. Quantas mais campainhas e apitos, melhor. Não é o amor por essa pessoa que os atinge, é a excitação da queda que predomina. Os Carneiros adoram a emoção. É melhor manter a excitação, porque quando se for, eles também irão. São pessoas com que é difícil viver. Casam tarde ou nem chegam a casar. O divórcio é rotina, eles acreditam neles mesmos mais do que em qualquer outro.



Ou Seja:Vou encontrar um novo amor ou vou aprofundar o que existe(lol),Não gosto do meu trabalho(só começo para a semana mas já o detesto),vou estar doente(o que raramente acontece no Inverno) e é melhor deixar de fumar.Sou um tipo egocêntrico que pensa mais nele próprio que no bem estar dos outros(deve ser por isso que as minhas relações correm mal) e só os carneiros não gostam dos seus Chefes(so o/a vou conhecer para a semana).Já quanto aos "carneiros malucos porem os tornados a um canto"...não sei o que isso é mas pelo sim pelo não este fim de semana não durmo em casa.Ao que parece ligo muito à opinião dos outros(é a minha preocupação principal de manhã à noite)e sou mais falador que ouvinte.Os meus amigos verdadeiros são muito bem sucedidos(em especial o que faz manutenção de elevadores e vai dormir para a praia em horário de trabalho).Aparentemente sou um pinga-amor e um rabo de saia.Elas dizem-me olá com voz de melão com presunto e eu atiro-me logo de cabeça.E se elas não me aparecerem em casa com brinquedos sexuais aparentemente eu aborreco-me e ponho-me a milhas.

Conclusão:O Carneiro(Eu) é um tipo que não vale nada.

PS:Há uns tempos uma amiga minha(Oh Teca ou tornas-te muito bem sucedida ou deixas de ser minha amiga)que é muito dada a estas coisas dos signos disse-me que eu de Carneiro não tinha muito. Tu queres ver que eu nasci em Setembro em vez de Abril?

Sunday, October 28, 2007

Para os tolos que flutuam

Este texto é dedicado a todos os tolos que pertencem àquela minoria de pessoas que não consegue, de forma nenhuma, andar com os olhos pregados no chão, àqueles que não andam com aquele passo apertadinho, travadinho, stressadinho, miudinho.
É dedicado àqueles que nunca andam com os ombros sempre à altura do queixo e ligeiramente inclinados para a frente.

É dedicado a pessoas tolas que como eu, andam na rua a pensar por exemplo que fado é o masculino de fada (o destino pode casar com uma fada…que triste fado seria o da fada se tal acontecesse…) e no meio de divagações tão idiotas como esta; pela avenida da liberdade, pelo rossio, no metro, no comboio; e no meio destes pensamentos o rosto faz questão de retratar o que vai na caixa forte que é o cérebro, que vai na volta nem é assim tão forte, porque se fosse não deixaria passar tudo para os olhos (num olhar revirado ou numa sobrancelha levantada), para a boca (num sorriso) …

Mas isto para dizer que quando acordamos por uns segundos, quando poisamos no Mundo real, deparamo-nos com uns monstros esquisitos que olham para nós fixamente, que querem entrar nas nossas mentes, para saber o que nos faz sorrir e ter o olhar perdido no vazio, mesmo quando estamos dentro de um autocarro em hora de ponta com o nariz quase ao nível da axila de um trabalhador da construção civil.
E essas pessoas que nos olham estupefactas, para as expressões do nosso rosto em resultado das grandes “raves” cerebrais, são pessoas encarquilhadas, enfezadinhas.
Olham para nós com um ar esquisito… e se sorrimos para elas, em jeito de: “Bom dia, senhora!”, vomitam um semblante chocadíssimo, de quem pensa: “Este sorriso deve ser sobra da pastilha que a miúda meteu ontem à noite…esta juventude está perdida, que Deus a leve e guarde!”

Posso deixar aqui alguns exemplos da forma como são tratadas as pessoas que não andam com o olhar pregado ao chão.

Ainda no outro dia, sai do comboio com os "phones" nos ouvidos, o dia não tinha sido fantástico, então, fiz o meu mp3 cantar-me ao ouvido uns excelentes sambas da grande mãe do samba: Beth Carvalho. E foi assim que fui caminhando pela plataforma do comboio, esqueci-me completamente de onde estava, o meu cérebro levou-me para as pequenas e intimistas casas de samba do Rio de Janeiro, lá estava eu…com uma caipirinha na mão, a ver a Beth Carvalho a cantar os meus sambas preferido, todos dedicados à menina portuguesa... creio que sem me dar conta, comecei a andar pela estação com um "swing" diferente, creio que com o “samba no pé”, desci as escadas ao ritmo de samba que estava ouvir e…depois do último degrau, terminei com um passo de samba, BOOOOMMM….fui acordada por um fogo cruzado de olhares dirigidos à minha fraca figura. Até fiquei atordoada…oh, gente de pouca fé! Deviam ter entrado no samba comigo!

No outro dia aconteceu uma situação peculiar, num banco de quatro no comboio, fiquei de frente para um “semelhante”, estava a ler o jornal quando ele entrou, terminei a leitura e coloquei o jornal entre o banco e a parede, se é que assim se pode chamar.
Em jeito de mimo, o rapaz olhou para mim com os olhos esbugalhados e apontou na direcção do meu jornal. “Queres o jornal?”, perguntei. Ele disse que não com a cabeça e com a boca em forma de bico de passarinho e continuou a apontar, olhei e descobri um papelinho por baixo do jornal da CGTP, “Isto??” perguntei. Acenou afirmativamente com a cabeça, com os olhos, com o nariz com o sorriso e piscou-me o olho.
Pegou no papel, virou-o e começou rabiscar algo no verso, olhava para mim, sorria: “hihihihihi”, baixava os olhos e desenhava algo. Sempre com a atitude de um mimo.

No final, mostrou-me o papelinho rabiscado, tinha feito a caricatura da senhora gorda, feia e de ar antipático que estava sentada ao meu lado. Ri às gargalhadas com o comboio cheio! Mais uma vez fui olhada por todos, porque chorei a rir, a caricatura era muito boa…!
Ele desenhou mais alguma coisa, levantou-se para sair e já perto da porta mostrou-me o desenho e apontou para mim: era uma menina de olhos grandes e pestanudos com um sorriso rasgado, saiu do comboio, e foi à minha janela dizer um adeus, aquele deus em jeito de mimo.

Estas são apenas duas das milhares de situações que vivi, por não andar com os olhos pregados no chão…

Quando chego ao trabalho há sempre uma das meninas que me pergunta: “Então? O que te aconteceu hoje?”.
E lá relato a história do dia.

Flutuem…deixem a cabeça pelas nuvens… ou então estejam realmente abertos para o que se passa de bom cá em baixo!


México, sem segunda ou última parte.

Só queria dizer que desisti de continuar o relato da minha viagem ao México, terei o maior prazer em fazê-lo na vossa companhia, ao vivo.

Aqui não...

Grata pela vossa compreensão,

Ana de Amsterdam.

Homage to the 80's

Ciao a Tutti(que em italianês quer dizer Olá Cambada!)

Antes de me estender na razão que me faz colocar este post nesta manhã solarenga de Outubro, gostaria de dizer:

1-Não sou um tipo agarrado ao passado.Os anos 80 já lá vão.É verdade que o a dezena 82-92 terá sido a melhor mas o passado ficou já lá atrás.

2-Tenho um gosto bastante eclético no que toca à música(e a quse tudo confesso). As minhas bandas favoritas vão desde Metallica a The Shins,Yann Tiersen ou a Mark Knopfler(bilhete já comprado para o Campo Pequeno a 4 de Abril de 2008).

3-Sem dúvida que os anos 80 trouxeram das melhores "malhas" pop que os meus ouvidos receberam com honras de Estado. Contam-se:
.Men At Work - Land Down Under
.Jouney - Don't Stop Believing (Parodiado em Scrubs e Family Guy)
.Men Without Hats - Safety Dance (Parodiado repetidamente pelo Conan O'Brien) Esta música,letra e clip ganham sem dúvida o meu prémio nonsense
.(...)

4-Mas há uma que definitivamente está no top de todos os tops. Hoje, por uma força qualquer, acordei com ela na cabeça. Não tenho parado de a ouvir e lavou-me a alma. Não que tenha uma letra que me diga algo de especial ou simbólico(como é costume) mas defitivamente porque é uma grande malha. Melhor fiquei quando ouvi uma cover...sem dúvida das melhores coisas que encontrei no Youtube até hoje. Deixo-vos com o video original e com o video da Cover. É absolutamente extraordinário e díficil(indissociáveis).Já tenho projecto para este Domingo soalheiro...

PS:I Blessed The Rains Down in Aaaaafricaaaaaaaa!


Toto - Africa


Andy McKee - Africa Cover

Monday, October 22, 2007

Actimel

Está decidido.Vou processar a Actimel.Aquela história do "ajuda a reforçar as defesas do seu corpo" é uma treta. Nunca bebi tanto Actimel como nos ultimos meses e continuo tão permeável à decepção,engano e mentira como antes. Exigo reembolso!